O Fundador de Uma Congregação Religiosa

Na vida de um homem há momentos em que mão superior muda o curso para um novo rumo. Este momento chegara para João Filipe Hoever. Seu coração pertencia, como sempre, as crianças do bairro pobre de São Pedro, onde cresciam seus filhos e tanta gente aflita que dele precisava.

Diante de vários desânimos que ele passava, Deus lhe envia um socorro, a beata Francisca Schervier, fundadora da Congregação das Irmãs dos Pobres de São Francisco.

De família rica, ela tinha abandonado tudo para cuidar daqueles miseráveis que nenhum hospital queria aceitar, na cidade de Achem.

Foi então, com 41 anos que João Filipe Hoever, juntamente com mais três amigos, com muita ajuda de Francisca, fundaram a Congregação dos Irmãos dos Pobres de São Francisco, com o Carisma de Servir a Cristo nos Pobres. Esta fundação foi realizada no dia 25 de dezembro de 1857.

Os Irmãos dos pobres esforçam-se no incomparável espírito de paz e alegria franciscana nos tempos de hoje. Mesmo depois de quase 150 anos de existência, continuamos nossas atividades em vários pontos do Brasil e do mundo.

“João Hoever com mais três companheiros já haviam começado a vida comunitária. Quando a santa véspera de Natal de 1857 estava acontecendo na cidade de Aachen, e as árvores de natal nas casas dos mais afortunados, resplandeciam no clarão das velas, apareceu Francisca Shervier em pessoa no recinto sóbrio do antigo convento dominicano e levou os irmãos para junto do pequeno presépio que ela tinha construído e enfeitado na tradição franciscana, e celebrou com eles a primeira devoção do Natal, para consagrar a congregação ao Menino Jesus. De seu alojamento, Hoever tinha trazido um pequeno santinho, que fixou na parede. Representava o Menino Jesus contemplando pensativo a cruz e os instrumentos da Paixão. Num gesto maternal comovedor, Francisca Schervier enleou uma grinalda que trouxera de casa, em redor desse modesto quadrinho sem moldura”. (Texto da biografia de João Hoever).

Fundamentum de João Hoever

17 de setembro de 1857

“Em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo. Amém. Seja feita e louvada em todas as coisas e eternamente, acima de tudo enaltecida, a justíssima, em suas profundezas e alturas impenetráveis, poderosíssimas e, em todas as suas decisões, santíssimas e amabilíssima vontade de Deus. Amém. No desejo de tornar-nos, no mais alto gral, agradáveis à Deus e glorificá-lo amorosamente com todas as nossas forças e como melhor pudermos, cumprindo perfeitamente os nossos deveres para conosco mesmo e nosso próximo, para assim iniciar aqui na terra a nossa meta final: a união com Deus e, alcançá-la com mais segurança e em mais alto gral na eterna beatitude – abandonamos o mundo, isto é, nosso estado de vida, nossa ocupação e nosso modo de viver, nossa família e amigos, renunciando inteiramente à nossa libertação e vontade própria, aos bens pessoais e comuns (segundo o quanto possível, sem por em perigo a obra toda). Fora do estritamente necessário para nosso sustento, abrimos mão do gozo de toda Criatura, pertencendo unicamente à Deus, de coração e de corpo indiviso e sem mancha e, formando uma comunidade religiosa, entregamo-nos inteiramente à mão de Deus para que, em sua misericórdia, nos purifique e santifique, nos transforme em instrumentos de seu reinado e se sirva de nós quando e onde lhe aprouver. Sendo, pela misericordiosa disposição divina da Ordem Terceira de São Francisco, sentimo-nos impelidos a amar o Seráfico Pai com todas as nossas forças e ser, em verdade, os seus filhos. Por isto nos consideramos obrigados a viver, daqui a diante, conforme a Regra aprovada pelo papa Leão X para os terciários que vivem em comunidade claustral, sob os três votos essenciais, e além disto, observar conscienciosamente os estatutos e normas já formuladas sobre constituição, estrutura, administração do conjunto e dos pormenores, posição, etc..., Ordem do dia regulamente da casa, divisão do trabalho, cerimonial, etc..., Não esquecendo, ao formular e observá-los que são meios e não finalidades em si. Abnegação e mortificação da nossa vontade, de nosso coração, de nossas preferências e hábitos e de nossas necessidades (em fim da segunda lei em nós contrária à lei do Espírito), no horror ao pecado no ódio contra nós mesmos, no zelo de penitência perante Deus e no desejo de conformidade com o Salvador em sua paixão – do outro lado, revivificação e domínio de Jesus Cristo em nós, para a prática constante de toda justiça e virtude, é e será o caráter comum, como da regra assim também dos estatutos e regulamentos. Como o Senhor, que tudo criou e mantém, também tudo governa, cabe unicamente a Ele determinar em que devemos servi-lo de maneira especial. Inicialmente nos exercitaremos na vida religiosa e nas obras de misericórdia, dentro de nossas possibilidade atuais. Futuramente, porém, assim o cremos, tanto já agora nos seja possível e permitido ter uma opinião acerca da vontade de Deus, acompanharemos o Bom Pastor e Samaritano compassivo para dentro supervisores, contra-mestres ou professores, ou em qualquer outra capacidade. Seja feita a vossa vontade.”