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SIMBOLISMO DA CONGREGAÇÃO DOS IRMÃOS DOS POBRES DE SÃO FRANCISCO

A parte principal do brasão é seu escudo, dividido em duas áreas. Na área superior vermelha se acha o presépio com o Menino Jesus. A cor vermelha nos lembra o grande amor que motivou a sua encarnação, como também o nosso amor a Deus e ao próximo que deve ser a força motriz das nossas atividades apostólicas.

A apresentação do presépio com o Infante Jesus foi escolhida:

1º. Porque o nosso bem aventurado João Hoever fundou na noite de natal de 1857 a nossa congregação e o primeiro ato de vida religiosa que o nosso fundador empreendeu com seus três companheiros, à instrução da beata Madre Francisca Schervier, foi a consagração ao Divino Menino Jesus.

2º. Para lembrar o sonho significativo de Madre Francisca, que precedeu à fundação da congregação. Por isso a túnica do Menino Jesus é por dentro vermelha e por fora branca. Estas cores simbolizam as duas virtudes por meio das quais o Menino Jesus, conforme o sonho de Madre Francisca, quer ser venerado em nossa congregação: amor e castidade.

3º. No presépio esposou-se o Divino Salvador com a pobreza. Foi ela a sua fiel companheira até a morte. Também os membros da nossa congregação professam a pobreza voluntária. Tomam-na como sua caraterística principal e se chamam Irmãos dos Pobres de São Francisco, porque querem ser não somente os irmãos dos pobres, como também eles mesmos querem ser pobres.

4º. O presépio há de nos lembrar sempre a finalidade sublime de nossa fraternidade: a ajuda aos pobres, em particular à juventude carente. O Divino Salvador vestiu-se da natureza humana para assemelhar-se aos homens no amor misericordioso, para redimir a humanidade e conduzi-la ao Pai Celestial. Na pobreza pessoal, também nós nos aproximamos dos pobres e desamparados para conduzi-los a Deus.

Na área inferior azul acha-se a brasão da Ordem Franciscana. Os dois braços, dos quais sendo um de Cristo e o outro de Francisco, no meio de ambos se distingue uma cruz, lembram a semelhança da vida de São Francisco com a vida de Jesus crucificado e o amor da cruz do Pai Seráfico. Nós acatamos esta representação em nosso brasão para lembrar:

1º. Que a nossa Congregação é agregada à Ordem Franciscana e participa das indulgências e dos privilégios desta Ordem.

2º. É ela, por conseguinte, um ramo na árvore frondosa que São Francisco plantou.

3º. Presépio e cruz foram os dois sinais característicos da vida espiritual do Seráfico Pai São Francisco, pelos quais ele sempre inflamava de novo o seu amor de Deus e do próximo. Também nós devemos inflamar continuamente o nosso amor de Deus e do irmão sofredor.

Em cima do escudo lê-se o lema da nossa congregação. Depois da nossa Regra de Vida ter sido definitivamente aprovada pela Sé Apostólica e os membros poderem orientar-se mais claramente sobre o caminho a trilhar na vida religiosa, tornou-se aconselhável resumir as Regras num lema que resume em poucas palavras o espírito que caracteriza os Estatutos da Congregação:

CHRISTO IN PAUPERIBUS = SERVIR A CRISTO NOS POBRES.

Este lema abrange a finalidade geral e específica de nossa Congregação e está estreitamente relacionado com as apresentações no brasão.

Servir a Cristo é segui-lo na observação dos três Conselhos evangélicos, é a finalidade da nossa vida religiosa. Seguir a Cristo em pobreza e humildade nos impõe o presépio com o Infante Jesus. Amemos e pratiquemos a pobreza voluntária como o Menino Jesus a praticou. Ele que sustenta e dirige o mundo, que ornamentou os céus com estrelas luzidias e a terra com admirável magnificência, está deitado num frio estábulo, numa pobre manjedoura com palha dura. Não devemos nós, honrando o nosso nome: “Irmãos dos Pobres de São Francisco”, viver e aspirar a verdadeira pobreza, mesmo não podendo alcançar o grau máximo da pobreza, ficar contentes com o necessário em alimentação, vestuário, moradia etc... e suportar com paciência uma ou outra falta que por circunstâncias diversas surgirem. A pobreza, assim praticada, é a verdadeira riqueza. Receberemos, segundo a promessa de Cristo, o cêntuplo na terra e teremos um tesouro no céu. Quem é verdadeiramente pobre em espírito, também é humilde. A humildade deve ser a virtude predileta dos membros da nossa Congregação. Seu nome, seu estado e sua profissão, tudo os lembra a humildade que deve ser o fino ornamento de cada um em particular e de toda a Congregação. Sede castos e puros, nos admoesta o Menino Jesus no presépio, como eram os que o rodearam no estábulo de Belém. A congregação foi fundada na Santa noite de Natal, tendo como altar o presépio; eis a razão que todos os seus membros devem ser castos e puros se quiserem agradar a Cristo e trabalhar com êxito no campo educacional-apostólico da juventude e promoção humana.

Sede obedientes segundo o exemplo de Jesus Cristo, assim nos exorta o presépio e a cruz no brasão. Desde o nascimento até a morte na cruz, foi a obediência para Cristo o seu alimento e o conteúdo de sua vida. Entrou neste mundo para fazer a vontade de seu Pai. E o apóstolo diz: “tornou-se obediente até a morte, e morte de cruz”. Ele, o onisciente e onipotente Deus, submeteu-se humildemente às criaturas, para que nós, fracos em razão e vontade, aprendêssemos submeter-nos àqueles que o substituem na terra.

Também os três nós no cíngulo, que circunda o brasão, nos lembram os santos votos que são elos áureos, pelos quais estamos atados ao nosso Mestre Jesus Cristo.

CHRISTO IN PAUPERIBUS = SERVIR A CRISTO NOS POBRES.

Este lema não somente contêm a finalidade geral de nossa vida religiosa, mas também a finalidade específica de nossa congregação: promoção humana e amparo a juventude carente.

Também neste particular Cristo é nosso exemplo. Diz Ele de si: “não vim para ser servido, mas para servir”. Fez-se de verdade o servo dos outros, especialmente o dos pobres. Também nós, os membros desta Congregação, não viemos para ser servidos, mas para servir. Devem os irmãos seguir as pegadas de seu bem aventurado fundador, João Hoever, e ilustrar-se por seu espírito. Servir a Cristo nos pobres foi o ideal do nosso fundador; para conseguir isso, sacrificou tudo: sua posição elevada, seus bens, a si mesmo. Idealizou nossa congregação e lhe traçou o seu campo de atividades: o amparo a juventude carente e a promoção humana. A congregação não deve desviar-se deste programa, se quiser preservar fielmente a herança do seu fundador e garantir a bênção do Altíssimo. Enquanto a fraternidade conserva o espírito da pobreza, serve a Cristo nos pobres e divide o pão com eles, ela não sentirá nenhuma necessidade. Quem dá aos pobres empresta com juros ao Senhor.

Servir a Cristo nos pobres deve ser o pensamento guia em todos os nossos trabalhos, quer na promoção humana, ou no amparo a juventude carente.
Servir a Cristo nos pobres é o programa dos irmãos que trabalham em um outro apostolado específico.

Servir a Cristo nos pobres é a consolação dos irmãos doentes e enfraquecidos que oferecem os seus sofrimentos corporais a Deus pelo êxito dos trabalhos apostólicos da congregação.

Servir a Cristo nos pobres é também o pensamento daqueles irmãos que não estão diretamente em contato com os pobres, aos quais a santa obediência confiou o cuidado, o desvelo dos confrades. Eles se sentem felizes em poder ser o servo dos “servos dos pobres”. O mundo não estima este serviço, mas nos olhos de Deus o nosso trabalho é de um valor inestimável quando é executado com fé.

“O que fizerdes aos menores dos meus irmãos, a mim o fizestes”, ou “Quem recebe uma criança em meu nome, a mim o recebe”, assim Cristo se expressa no Santo Evangelho. Meditemos muitas vezes sobre o nosso lema. Rezemos para que Deus faça de nós verdadeiros servos dos pobres.

Servir a Cristo nos pobres deve ser o primeiro pensamento de manhã e o último à noite. De manhã, é propósito e a boa intenção; à noite, é o espelho do exame de consciência.

Servir a Cristo nos pobres deve ser o epílogo de nossa renovação espiritual a cada mês, como também, do nosso retiro anual. O nosso lema deve ser a bússola e a estrela do mar para os que se guiam em sua jornada.

Assim nos animará também o espírito do trabalho, o espírito de coragem para dedicar-nos com corpo e alma aos pobres, espírito esse que pode ser considerado verdadeiramente franciscano.

Que grande consolo para nós, podendo declarar na hora da morte: fui um servo dos pobres, servi a Cristo nos pobres. Esse trabalho é cansativo e espinhoso; eis a razão que o brasão é ornamentado com uma coroa de espinhos. Aqui na terra os irmãos se sentem coroados de espinhos com Cristo, sendo os espinhos símbolo dos sofrimentos, dos sacrifícios e do desprezo. Mas, na eternidade se transformará esta coroa de espinhos, após uma vida fiel ao nosso lema “Servir a Cristo nos pobres”, numa brilhante auréola celestial.

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