
O Profeta São Francisco de Assis
Segundo Luiz Moscovis “os profetas não surgiram por acaso. Não caíram do céu. Não viveram fora da história. Eles viveram no tempo e no espaço, em determinados lugares e determinadas épocas. Brotaram do chão. Do chão sofrido e machucado dos pobres da terra”.
Em sua caminhada, os profetas anunciando a Aliança, denunciando a quebra da aliança vieram “para arrancar e para destruir, para exterminar e para demolir, para construir e para plantar”, como diz Jeremias 1,10.
O que é difícil, no mundo de hoje, é atualizar a mensagem dos profetas. Para que isso aconteça é necessário cumprir quatro exigências que se entrelaçam.
Fidelidade: Captar a partir do lugar vivenciado por eles, lugar social dos pobres, a mensagem e a vida dos profetas, através de suas palavras e de suas posturas.
Criatividade: Não pode haver criatividade verdadeira sem fidelidade. Seremos criativos trazendo para o nosso hoje a mensagem do profeta. Tornando concreto, a partir da nossa realidade, o recado do profeta, é ainda segundo Luiz Moscovis, “por o pé no chão conflitivo em que vivemos com um conhecimento crítico da nossa realidade. É realizar a mensagem dos profetas sem manipulação”.
Conversão: “Fidelidade e criatividade verdadeiras levam à conversão. Para converter-se é preciso estar disposto a mudar nossas posturas, nossas opções, nossas práticas e nossa teoria. É dar uma volta por cima, um salto de qualidade” (Luiz Moscovis). A conversão é diária e também permanente e acontece quando temos consciência de nossas falhas e fraquezas. Para tanto é preciso ter humildade. “A conversão é fonte de paz e alegria, é a alegria de quem achou um tesouro precioso e vendeu tudo que tinha para possuir esse tesouro” (Mt 13,44-46).
Militância: É o momento mais importante e decisivo de toda a leitura dos profetas. É a conseqüência da conversão. Traduz nossa fidelidade aos profetas na nossa prática cotidiana. “Militância plena é um conjunto de práticas: na vida pessoal, na família, nas lutas populares, na comunidade eclesial. É esse conjunto de práticas que gera a práxis do Reino, a Militância Plena” (Luiz Moscovis).
Quantos profetas existiram e existem hoje que não conhecemos? E quantos se fizeram santos praticando a militância plena dos profetas?
Pensemos em São Francisco de Assis. Teve à sua disposição uma vida bem sucedida e de prestígio junto aos homens, mas preferiu a glória de Deus. Viveu em meio de uma grande desigualdade social, colocando-se sempre ao lado dos pobres e mesmo doente, humilhado, recebendo zombarias, abandonou seus antigos ideais de cavalheiro e dedicou toda sua vida a serviço do Senhor. Despiu-se de todas as coisas materiais e vestiu-se de amor. Amor ao Pai, amor aos homens, amor à natureza, à criação, amor à vida plena e verdadeira. Tornou-se um profeta, militante do Reino, e a essa militância entregou-se até às últimas conseqüências, até à morte gloriosa.
A oração que nos legou, plena de amor, de humildade e de fé é uma verdadeira profecia:
Senhor, FAZEI-ME INSTRUMENTO DE VOSSA PAZ.
Onde houver ódio, QUE EU LEVE O AMOR.
Onde houver ofensa, QUE EU LEVE O PERDÃO.
Onde houver discórdia, QUE EU LEVE A UNIÃO.
Onde houver dúvida, QUE EU LEVE A FÉ.
Onde houver erro, QUE EU LEVE A VERDADE.
Onde houver desespero, QUE EU LEVE A ESPERANÇA.
Onde houver tristeza, QUE EU LEVE A ALEGRIA.
Onde houver trevas, QUE EU LEVE A LUZ.
É importante não deixar faltar à ligação da vida e da mensagem dos profetas com a vida de hoje. Inspiradas na militância dos profetas da Bíblia, e nos que não estão na Bíblia, como São Francisco de Assis, mas nos deixaram suas profecias. Essa ligação realiza o sentido da vida, gera paz no meio dos conflitos, constrói o eterno dentro e a partir do tempo e do espaço, no aqui e agora.
Como continua nos dizendo Pe. Luiz Moscovis:
“Os profetas são mesmo companheiros de fé e de luta!”
Por Ayda Horta |