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Nos perguntamos, para que religiosos em tempos sombrios? Para que ser religioso em tempos de miséria, tempos de pobreza, tempos de desemprego?
Vivemos em uma época difícil. Tempo de violência, de engano, corrupção e muitas coisas mais. E toda a humanidade, isto é, todo homem, quer deixar para trás seu ontem de perturbações e problemas, e encontrar um amanhã melhor, mesmo sem saber o que é melhor ou onde encontrá-lo. Podemos, com isso, dizer que vivemos uma época recheada de esperança e ansiedade.
Diariamente os meios de comunicação explodem notícias nada animadoras, é impossível não ver e não ser contagiado. Num mundo preocupado com o desenvolvimento da indústria, do comércio, da tecnologia, onde o mais esperto sempre ganha a corrida cada vez mais injusta, o pobre sempre sem vez é deixado de lado, sendo considerado como um estorvo, vivendo entre os escombros do desenvolvimento.
Com isso o homem perde sua identidade, perde o sentido de ser, tudo se torna igual, não se pode distinguir o que é bom e mau. Deixa de ser ele, e passa a ser uma etiqueta do momento, levando consigo as marcas famosas e sendo conduzido por vozes desconhecidas.
Podemos nos perguntar novamente, depois de tudo isso, para que religiosos em tempos sombrios? Precisamos deles justamente para nos tirar da escuridão, do medo, e resgatar o sentido da vida em Deus. O religioso em nossos tempos é chamado a ser luz do mundo, isto mesmo, sal da terra e luz do mundo, redescobrir o sabor da vida, iluminar e ser como uma placa de sinalização para o caminho que é Cristo.
É chamado a descobrir caminhos, reencontrar a coragem, coragem de escutar a voz de Deus nos nossos irmãos, chamando a viver a liberdade n'Ele. E liberdade não é falta de compromisso, mas antes total compromisso com a verdade com os irmãos mais necessitados e com Deus, é vivenciar o amor de Cristo no meio de nós. É estar aberto ao Espírito Santo, para que ilumine as trevas do coração e deixar-se guiar pelo seu sopro suave.
Desses homens que o mundo tanto precisa. Homens que queiram se entregar a Deus, e por amor servir a todos. Homens de criatividade que mostrem caminhos novos, homens de coragem que queiram carregar a cruz e homens de fé simples, mas profunda e sincera.
Homens que à criança e à Deus, permitam ser simplesmente criança e Deus . Homens como São Francisco e Frei João Hoever, que ouvindo a sofrida voz do tempo, se entregaram por amor à Deus, ao serviço do próximo. Homens que souberam ver o Cristo com todo o seu esplendor em cada rosto de irmão.
Por sermos irmãos, todos somos chamados a servir neste amor, porém o religioso é chamado a algo maior, como aconselha São Francisco: "Especialmente, porém os religiosos, tendo renunciado ao mundo, estão obrigados a fazer mais e coisas maiores..." (4Ct-b).
Mas ser religioso em tempos sombrios não é fácil, é renunciar ao mundo com todos os seus vícios e maldades, renunciar não no sentido de fugir, mas conseguir diante de todos esses problemas, ser cristão e ser homem, e entregar-se no amor-encontro na verdade que é Deus.
Um caminho que exige decisão e dedicação. È trazer luz, e eliminar a escuridão, luz que aquece e mostra a estrada, luz que é Deus. É correr o risco de ser deixado de lado, de ser esquecido, de ser humilhado, enfim, de sofrer todos estes sofrimentos e acabar como Cristo, numa cruz, mas confiante numa ressurreição gloriosa. E ao ser esquecido e humilhado, reencontrar aí seu irmão, há muito tempo banido e esquecido – CRISTO, o salvador.
Peçamos a Deus que desperte nos corações dos jovens a vontade e a coragem de servir como irmão franciscano, e estar sempre pronto para repetir com fé e de coração como Frei João Hoever: "Que Deus se sirva de nós, quando e onde lhe aprouver..."
Por Frei José Carlos Cagnin, CFP
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