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Se eu não existisse, ninguém iria notar minha ausência, nem notaria a ausência de qualquer outro ou outra que existisse. Mas, antes de eu existir, Deus já me conhecia e amava, por isso me chamou à vida: sou criatura sua. Cada pessoa é criatura de Deus, amada e convidada por ele ao banquete da vida. A vida é assim, o primeiro chamado é de Deus, a primeira vocação. Se a vida já é vocação, devo-lhe uma resposta. Qual será a resposta que Deus espera de mim? Certamente a vida tem um sentido a descobrir, uma resposta a realizar. E ninguém o faz em meu lugar. A primeira resposta ao chamado da vida é compromisso sagrado de quem a considera um dom de Deus confiado aos cuidados humanos. Colocar-se a serviço da vida já é responder a vocação.
A vocação é como um diálogo entre Deus e o vocacionado, a iniciativa é de Deus, a resposta é do ser humano. Em clima de oração, escolher o próprio ser como um dom e presente que Deus me faz agora: corpo, espírito, saúde, energias, desejos, necessidade de amar e ser amado, impulso para o infinito, capacidade de relações.
Eu mesmo sou dom de Deus: tudo em mim procede dele. E enquanto procedo dele, todo meu ser é bom!
O que é ser vocacionado?
O apostolo São Paulo, na sua primeira epístola ao jovem Timóteo, escrita aproximadamente no ano 63 d. C. na Macedônia, teve como objetivo encorajar este jovem rapaz quanto a sua vocação no serviço da Igreja.
Esta carta sintetiza em seu capítulo 3, as qualificações e as virtudes pertinentes a aquele que deseja o episcopado. No versículo 10 o apostolo chama a atenção do jovem Timóteo a primeiramente, conservar o mistério da fé, com a consciência limpa também se mostra irrepreensível para o exercício da vocação.
Vocação vem do latim vocare, que quer dizer, “ato de chamar, escolher, chamamento, tendência”.
A vida franciscana surgiu com propósito de trazer pessoas dispostas à “Servir a Cristo nos Pobres”. Com este propósito, São Francisco de Assis empreende um novo sentido para o serviço na Igreja. O jovem Timóteo se sentiu preparado e apto para o exercício de sua vocação. Se faz necessário que, primeiramente, experimentemos o exercício do dia-a-dia da vida franciscana, para que possamos compreender a sua real importância frente as grandes transformações que a sociedade vem sofrendo nos dias atuais.
Como diz o apostolo, não somos mais neófitos, ou seja, imaturos para não compreendermos que todos nós fomos chamados e vocacionados para atendermos o chamado do mestre.
Francisco com seus ideais pauperibus, mostra-nos a grande necessidade de atendermos a este chamamento. Faça hoje mesmo sua decisão respondendo as mudanças do tempo presente, prestando um serviço de amor aos mais necessitados do Reino através da dedicação total de sua vida a esta causa urgente, necessária e atual.
Por Frei Lucas de Assis, cfp
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